sábado, 10 de outubro de 2015

MATERNITATIS B.M.V. 11 de outubro

Maternidade de Maria


A CONFIANÇA NA MATERNALIDADE DE MARIA



 

“ Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado o Cristo” (cf. Mt 1, 16). Eis o maior e mais elevado título de Maria: Mãe de Deus. Maternidade esta que, em afeto e desvelo supremos, se estende, como consequência, aos homens.
Com o cunho de seu gênio e hábil maestria em temas marianos, assim ensina São Luís Maria Grignion de Montfort: “A Santíssima Virgem, sendo necessária a Deus, duma necessidade chamada hipotética, devido à sua vontade é muito mais necessária aos homens para chegarem a seu último fim”. 

De fato, logo no início do cristianismo, os primeiros cristãos aliaram, ao título de Mãe de Deus, invocar Maria enquanto Mãe dos homens.
De modo algum sairá confundido quem a Ela recorre e busca seus ensinamentos maternais. Nos escritos de Veremundo Toth em louvor a Maria, encontramos: “Com sua bondade, Maria cativa, até hoje, inúmeros homens que têm a certeza de que alguém que recorreu à proteção de Maria e implorou sua assistência nunca foi por Ela desamparado. E por que essa confiança ilimitada na Virgem Maria? Porque Ela nos ama, sendo nossa Mãe”.  
A esse respeito, recordemo-nos das palavras do Divino Mestre:
E qual de vós porventura é o homem que, se seu filho lhe pedir pão lhe dará uma pedra? E, se lhe pedir um peixe, dar-lhe-á uma serpente? Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará bens aos que Lho pedirem. (Mt 7, 9-11).
Como age o Pai em relação aos que a Ele Se voltam, de igual modo, guardadas as devidas proporções, o faz a Rainha dos Céus. Foi justamente para demonstrar o amor que o Padre Eterno nos tem, que Ele quis dar-nos Maria como Mãe. Segundo as palavras de São João Paulo II em sua Encíclica Redemptor Hominis: “ […]esse amor aproxima-se de cada um de nós por meio desta Mãe e, de tal modo, adquire sinais compreensíveis e acessíveis para cada homem”.

A necessidade dos filhos e o socorro da Mãe Celeste

Declinaremos a seguir um fato narrado pelo doutor e moralista da Igreja, Santo Afonso Maria de Ligório,
4 em que vemos ilustrada a proteção maternal de Maria aos que A invocam, mesmo quando os réus se encontram em extremos de crimes e devassidão.
Conta-nos ele que, por volta do ano de 1604, em Flandres, dois jovens, descuidando-se dos estudos, começaram a levar uma vida desenfreada, entregando-se a toda espécie de libertinagem. Aconteceu que, certo dia, estando eles numa casa de perdição, ocorreu a um deles, chamado Ricardo retirar-se dali, enquanto o companheiro lá permanecia.
Ao chegar a casa e se aprontar para dormir, Ricardo lembrou-se de não ter ainda recitado umas Ave-Marias, como era seu costume, em honra da Virgem Maria. O sono o impedia a isso e pouco desejo tinha ele de o fazer, mas por fim, acabou concluindo essas orações e adormeceu. De repente, ouviu alguém bater fortemente à porta. Sem que tivesse tempo de se levantar, vê diante de si o companheiro, com a fisionomia horrivelmente desfigurada.
— Ai, pobre de mim! — exclamou aquele infeliz — ao sair daquela casa infame, veio um demônio e me sufocou. O meu corpo ficou no meio da rua, a minha alma está no inferno. Sabes, pois — acrescentou —, que o mesmo castigo te tocava a ti. Mas a bem-aventurada Virgem, pelo teu pequeno obséquio das Ave-Marias te livrou dele. Ditoso de ti, se tu souberes aproveitar deste aviso que a Mãe de Deus te manda por mim.
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Dito isso, mostrou o condenado as serpentes que o mordiam, escondidas sob a capa, e a visão se desfez. Ricardo caiu em si, tocado pela graça, e enquanto dava glórias à Santíssima Virgem pela misericordiosa intercessão, procurava um meio de mudar de situação e expiar seus graves pecados. Neste momento, soaram os sinos de um mosteiro próximo, chamando os frades ao cântico de matinas, e Roberto entendeu ser aquele o local designado por Deus para sua vida penitente. Dirigiu-se ao superior do convento e após o relato da terrível visão, pediu-lhe acolhida. Para comprovar o fato, dois religiosos foram ao local por ele indicado e encontraram o corpo do infeliz, já escurecido pelo sufocamento.
Santo Afonso conclui o relato dizendo que após terem os franciscanos admitido em sua Ordem o jovem Ricardo, este levou uma vida exemplar entre os monges. Por fim, depois de intensos labores apostólicos nas Índias, foi conduzido em missão ao Japão, onde morreu mártir, por amor a Jesus Cristo.
É este episódio apenas um entre inúmeros, nos quais sempre se verificou o socorro de Nossa Senhora, corroborando nos fiéis uma grande confiança em sua Mãe e Rainha.
Este amparo maternal de Nossa Senhora a cada filho seu se manifesta com um matiz diferente, mas sempre sublime. Nesse sentido, a história de cada homem, quando dócil aos chamamentos da Mãe Celeste, pode ser resumida numa escalada de sublimes comunicações entre Mãe e filho: Maria e cada homem em particular. E quanto mais esta relação se torna íntima e intensa, tanto mais a vida adquire brilho. O ânimo da vida vem quando se toma contato com a maternalidade de Maria e se experimenta suas carícias, porque então as asas para o voo a Deus começam a nascer.

1SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONTFORT. Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem. 34.ed. Petrópolis: Vozes, 2005, p. 42-43.
2 TOTH, Veremundo. Louvores à Virgem Maria: Reflexões sobre a Ladainha de Nossa Senhora. 3.ed. São Paulo: Vozes, 1998, p. 34.
3 JOÃO PAULO II. Carta Encíclica Redemptor Hominis, n. 22.
4 SANTO AFONSO DE LIGÓRIO. Glórias de Maria. 2.ed. Aparecida: Editora Santuário, 1987, p. 189.
 

Colaboração Irmã Nilza do Carmo

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