terça-feira, 25 de agosto de 2015



A INGRATIDÃO OU O COMEÇO DO FIM DA AMIZADE
A ingratidão é o atestado de óbito da amizade por lesão gravíssima; ela é uma espécie de "cegueira" pela qual o ingrato vai esquecendo os benefícios recebidos. Para o ingrato, o esquecimento dos bens com os quais foi favorecido, serve de ferramenta para se autojustificar e na tentativa de desculpar se a si próprio, acaba culpando a quem lhe fez o bem.
Um detalhe importante é que, na verdade, o ingrato não deixa propriamente de enxergar os benefícios recebidos mas tende a diminuí-los, alimentando a idéia de que não eram assim tão importantes ou que de algum modo já estavam devidamente "quitados". O fundamento desta sua atitude desagradecida é um tipo de complexo de inferioridade, seguido da sensação falsa de ser injustiçado porque imagina dar mais do que recebe. Num dado momento, Judas Iscariotes imaginou que deu mais a Jesus Cristo do que dele recebeu e assim concluindo, cobrou a "indenização" do caixa dos sumos sacerdotes.
Outra nota distintiva do caráter do ingrato é a facilidade de ficar ofendido, capaz de fazê-lo, por exemplo, jogar fora uma amizade por simples dificuldades, próprias da condição humana; ele é rigoroso nas miudezas e relaxado nas coisas mais importantes de modo que, uma palavra dita em qualquer situação um pouco mais tensa pode fazer esta criatura gelatinosa sentir-se mortalmente atingida, por isso, quem lida com gente assim não pode deixar de tomar cuidado até para dizer lhe um simples "bom dia".
Vale ainda lembrar que o arrependimento não é algo normal nas pessoas ingratas. Por quê? Bem, a explicação é simples: arrepender-se e por conseguinte PEDIR PERDÃO, significaria para o ingrato sacrificar os meios pelos quais ele está convencido de que é sempre a vítima e com os quais alimenta sua alma. Arrepender-se seria então, curar-se.
Acontece que no caso do ingrato o seu diretor espiritual não é propriamente o arrependimento, mas sim o remorso, ou seja, ao remordido, diferentemente do arrependido, lhe falta coragem para ir às causas do seu estado miserável para removê-las; ele sofre porque se sabe atingido pelas conseqüências de suas ações sem nunca se responsabilizar o suficiente por elas . O arrependido, ao contrário, abre os olhos para as causas de suas ações e busca removê-las assumindo-as. Em resumo: a dor do remordido, mata; a dor do arrependido, cura.
Quanto ao que foi dito acima, não resta nenhuma dúvida: o ingrato é, sim, covarde e a sua covardia é uma picada de escorpião.
Pe. Renato Leite.


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