sexta-feira, 14 de agosto de 2015

A Festa da Assunção no Paraíso





Do livro Glórias de Maria, de Santo Afonso Maria de Ligório

Santo Estanislau Kostka
Este santo jovem, tão dedicado ao amor de Maria, ouviu no primeiro dia do mês de agosto uma conferência, que o padre Canísio fizera aos noviços da Companhia. Aconselhou-lhes o santo pregador, e com muita insistência, que vivessem cada dia como se fosse o último de sua vida, findo o qual lhes fosse preciso comparecer perante o tribunal divino. Terminada a conferência, dissera Estanislau aos companheiros que aquele conselho era, particularmente para ele, a voz de Deus, porquanto havia de morrer naquele mesmo mês. Isto disse, ou porque Deus expressamente lho revelou, ou ao menos por certo pressentimento do que ia acontecer. Quatro dias depois foi o santo jovem com o padre Emanuel de Sá visitar a igreja de S. Maria Maior. Em caminho discorreu sobre a próxima festa da Assunção e disse: Padre, creio que nesse dia se vê um novo paraíso, no paraíso, contemplando-se a glória da Mãe de Deus, coroada Rainha do céu e colocada tão próxima ao Senhor, sobre todos os coros dos anjos. Dizem que em cada ano se renova esta festa no céu. Creio nisso e espero que verei a primeira que lá se fizer.
Segundo uma aceitável narração, nesse mesmo dia Estanislau escreveu uma carta à sua querida Mãe do céu, na qual lhe pedia a graça de assistir à celebração de sua festa no paraíso. Tocando-lhe então por sorte o glorioso mártir S. Lourenço, como protetor do mês (segundo o uso da Companhia), comungou no dia de sua festa e depois suplicou ao Santo que apresentasse a carta à Mãe de Deus, e intercedesse por ele para um favorável despacho da mesma.
No fim desse mesmo dia veio-lhe a febre e, embora fraca, deu-lhe contudo como certa a graça pedida quanto a uma próxima morte. Com efeito, ao deitar-se na cama, disse muito alegre e risonho: Daqui não me levantarei mais. E ao padre Cláudio Aquaviva acrescentou: Meu padre, creio que S. Lourenço já me obteve de Maria a graça de me achar no céu pela festa de sua Assunção. Mas ninguém ligou importância às suas palavras. Na vigília da festa o mal continuava a parecer leve. Disse, contudo, o Santo a um irmão, que morreria na noite seguinte. Ao que este respondeu: Ó irmão, maior milagre seria morrer, do que sarar de um mal tão insignificante. Entretanto, eis que, passada a meia-noite, caiu o Santo num desfalecimento mortal, começando a suar frio e a perder as forças. Acudiu o Superior, a quem Estanislau rogou que o mandasse pôr sobre o chão, para morrer como penitente. Isto se lhe concedeu para o contentar e foi posto no chão sobre uma coberta. Depois confessou-se e recebeu o viático, não sem comover até às lágrimas os assistentes. Ao entrar no quarto o Santíssimo Sacramento, viram estes o Santo jovem todo radiante de celeste alegria nos olhos, e o rosto todo ruborizado nas chamas de um santo amor, que até parecia um serafim. Recebeu também a Extrema-Unção e entrementes nada fazia senão levantar os olhos ao céu, e ora contemplar, ora beijar e apertar contra o peito amorosamente uma imagem de Maria. Perguntou-lhe um padre: De que vos serve nas mãos este rosário, se o não podeis recitar? Serve para consolar-me – responde o Santo – pois é uma coisa que pertence à minha Mãe. Se assim é, tornou-lhe o padre, quanto maior será vossa consolação, vendo-a e beijando-lhe em breve as mãos, no céu! Então o santo, com o rosto todo inflamado, levantou as mãos para o céu, exprimindo assim o desejo de achar-se na presença de Maria. Apareceu-lhe depois essa querida Mãe como ele mesmo disse aos circunstantes.

E pouco depois ao amanhecer do dia 15 de agosto, expirou como um bem-aventurado, com os olhos fitos no céu, sem fazer movimento algum. Tendo-lhe alguém apresentado a imagem de Maria e notando que ele não se interessava mais por ela, conheceram os presentes que Estanislau passara desta à melhor vida no céu. Já havia partido para ir beijar os pés de sua Rainha no paraíso.

Colaboração Ir. Fernando de Nossa Senhora de Fátima

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