quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Representação da origem Imaculada de Maria, filha de Eva

 Representação da origem Imaculada de Maria, filha de Eva.
 
 
Ao lado da representação tradicional do momento histórico, forma-se uma nova iconografia no decorrer dos séculos XV e XVI, com a finalidade de dar forma àquilo que é essencial. Deixa-se a figura da Porta Áurea e de S. Joaquim e se volta logo à imagem de origem: a Iconografia da árvore genealógica da família de Maria e de Santa Ana formam o essencial da representação, unida àquela da salvação messiânica na figura da Mãe do Salvador preservada do pecado e santificada por Deus.
Do tronco desta, surge o ramo imaculado que, por sua vez, produz a flor que nos liberta a todos do pecado original; graça de que Ela já gozava desde sua origem. O rebento inserido no solo corrupto da humanidade, renasce intacto. São ideias difundidas pela iconografia da árvore.
Ideias semelhantes encontramos expressas na literatura carmelitana da época: o discurso do Bispo de Armagh sobre a Imaculada em 1342; os comentários ao Cântico dos Cânticos de Miguel Aiguani de Bolonha; o "Padroado" de Aroldo Bostio; o "A formação dos primeiros monges" de Ribot, que aplica,  pela primeira vez entre os Carmelitas, a interpretação mariana da "nuvenzinha"de Elias e Maria Imaculada.
Neste contexto temos uma fase passageira da iconografia, com influências desta interpretação mariana da "nuvenzinha"de Elias: Elias que reza a Santa Ana, enquanto Santa Ana ora a Maria no centro da nuvenzinha. Esta cena está representada, por exemplo, numa miniatura do Antifonário do século XV.
Esta acentuação do mistério de Maria não omite, porém, aquilo que é mais profundo, isto é, Maria é assim bela porque é a Mãe do Filho de Deus.
Produz-se assim uma iconografia que envolve Maria com a luz do sol, que toma os símbolos da lua arqueada(como uma foice) sobre o globo e esmagando a serpente.
Isto significa que Ela é preservada do pecado em virtude do mérito do Redentor que a reveste de sua luz. A imagem iconográfica é claramente inspirada na passagem do Apocalipse "A mulher revestida de sol e com a lua debaixo dos pés" (Ap 12,1)
Esta "Senhora" vem representada sempre com Cristo: é a Mãe de Deus, a Imaculada, sob o modelo de Platytera.
A Madona representada como a Mulher do Apocalipse causou tão grande impressão aos Carmelitas dos séculos XIV-XV, que foi por eles escolhida como a melhor imagem da Senhora do Carmo.
 

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