sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

VERDADES FUNDAMENTAIS DA DEVOÇÃO À SANTISSIMA VIRGEM




 
A pretexto de não ofender a Nosso Senhor, destroem a devoção a Nossa Senhora 
Continua São Luís Maria Grignion de Montfort:
"Estes senhores raras vezes falam de Maria e da devoção que se Lhe deve ter, porque - dizem - receiam que se abuse dessa devoção, e que se Vos ofenda honrando excessivamente Vossa Mãe Santíssima" (tópico 64).
Encontramos às vezes, entre católicos, a formulação de que o culto a Nossa Senhora é coisa boa, mas que "há um certo exagero nele, por onde Nosso Senhor não é suficientemente cultuado; é preciso cultuar a Virgem Santíssima, mas reservando sempre o primeiro lugar para Nosso Senhor".
Ligada a esta formulação que amalgama dolosamente erros e verdades, há também uma atitude falsa com relação à devoção ao Santíssimo Sacramento. Assim, por exemplo, entrando numa igreja, encontramos com certa freqüência pessoas instruídas na Religião, rezando diante do Santíssimo Sacramento. Mas se formos procurá-las diante de uma imagem de Nossa Senhora, rarissimamente as encontraremos. Tem-se a impressão de que, para eles, o culto das imagens é uma espécie de utensílio para a piedade mais primitiva dos fiéis, uma coisa superficial. Por isso, em geral, entra-se numa igreja e se vai rezar diante do Santíssimo Sacramento; diante de uma imagem de Nossa Senhora, quão mais raro!
A verdade, porém, é inteiramente outra. De fato, o objeto principal de nosso culto numa igreja é o Santíssimo Sacramento. Mas se quisermos cultuá-Lo bem, é excelente que passemos por uma imagem de Nossa Senhora, pedindo a Ela as forças e as graças para fazermos diante de Nosso Senhor um minuto de adoração bem feita.
Em um dos ritos da Igreja Oriental há um costume muito bonito, pelo qual, antes da comunhão, os fiéis passam diante de ícones que há ao lado do altar-mor, e rezam aos santos ali representados para que os auxiliem, naquele momento de receber Nosso Senhor. E após receberem as Sagradas Espécies, passam diante dos ícones do lado oposto, e pedem aos santos que os auxiliem para bem receber os frutos da comunhão. Esta é uma compreensão perfeita do culto a Nosso Senhor. O bom católico nunca o vê separado do culto aos santos, muito menos ainda do culto a Nossa Senhora, pois a auréola normal de Nosso Senhor são os seus Anjos e seus santos. 

Apresentá-La de um modo terno, forte e persuasivo 
"Se vêem ou ouvem algum devoto da Santíssima Virgem falar muitas vezes, dum modo terno, forte e persuasivo, da devoção a esta boa Mãe como de um meio seguro e sem ilusão, dum caminho curto e sem perigo, duma via imaculada e sem imperfeição, e dum segredo maravilhoso para chegar a Vós e Vos amar perfeitamente, clamam contra ele, e lhe apresentam mil razões falsas para provar-lhe que não é necessário falar tanto a respeito da Santíssima Virgem, que há muito abuso que é preciso empenhar-se em destruir, nessa devoção, e aplicar-se em falar sobre Vós, em vez de favorecer a devoção à Virgem Maria, a quem o povo já ama suficientemente" (tópico 64).
É a expressão do mesmo pensamento. Notemos, contudo, um pormenor: "Se vêem algum devoto da Santíssima Virgem falar muitas vezes, de um modo terno, forte e persuasivo". Como se vê, até nas pequenas coisas de São Luís Grignion temos uma total identidade de posição com ele. Não se deve falar de Nossa Senhora de modo oco e romanceado, mas, como fez São Luís, de modo afetuoso, forte e persuasivo. Afetuoso e forte, isto é, que atinge a vontade; persuasivo, que atinge a inteligência. Nossa devoção à Virgem Santíssima deve basear-se em coisas que atinjam a inteligência, e não consistir apenas em melúrias e coisas adocicadas. 

Colaboração Ir. Nilza do Carmo

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