terça-feira, 16 de dezembro de 2014

A REVOLUÇÃO DE SANTA TERESINHA

A REVOLUÇÃO DE SANTA TERESINHA



            
Para falar com clareza, estamos vivendo mais do que os nossos antepassados em condições favoráveis de nos tornar místicos. Vivemos com mais claridade o que é essencial no caminho espiritual. Somos mais capazes de julgar o que é principal e o que é secundário. Quanto mais reto o caminho, tanto mais se alcança a meta.
Tais condições  favoráveis devemos principalmente a Santa Teresinha de Lisieux (1873-1897). Será muito difícil ultrapassar a novidade de que ela trouxe para a história da espiritualidade. Criou novo modelo de santidade. A famosa convertida suíça, Gunnel Vallquist, membro da Academia suíça, quando se traduziu uma biografia de Santa Teresinha, escrevia assim:
“Calmamente --   haveria de parecer – essa pequena monja, sem especulações teológicas e sem polêmicas, aboliu exatamente aquilo contra o que Lutero se levantara com tanta violência: a exigência de se praticarem boas obras para se merecer o amor de Deus (...). Não é exagero afirmar que Santa Teresinha  preparou o terreno para a teologia que veio à luz no Concílio Vaticano II, quando a igreja descobriu encontrar-se de fato no meio de um desenvolvimento revolucionário”.
A Revolução de Santa Teresinha poder-se-ia resumir em três pontos:
1°-à A santidade não consiste na total ausência de falhas e pecados, mas na total confiança e abandono nas mãos de Deus. Santa Teresinha discorda resolutamente da ideia : “santidade = perfeição”. Não se trata, portanto, de ser mais pura, mais bonita, mais irrepreensível, e sim, de crescer na confiança. Não há de ser problema certo número de falhas e erros, se prevalecer o pensamento de que Deus é Amor Infinito, que nos dá todo direito de confiarmos n’Ele. O que se acentua não é a pessoa humana, mas o próprio Deus. Não diga: “Quero tornar-me santo “, mas Senhor, como sois bom!” Em vez de exigências , a santidade agora torna-se dom .Não é  “sou EU quem me devo tornar virtuoso”, mas “posso confiar em Deus”.
2° -à Não se exige um aparato especial para tornar-se santo. Nada de vontade de ferro, nada de caráter bom, nada de coragem extraordinária. O objetivo não é tornar-se grande, mas pequenino; não é tornar-se rico, mas pobre. O fato de que a igreja privilegia hoje os pobres provavelmente tem ligação com a descoberta de Santa Teresinha. Quanto a Deus, esta escolha e opção são evidentes , pois  “derrubou os poderosos dos seus tronos e no alto colocou os humildes, cumulou de bens os que passavam fome e mandou embora os ricos com mãos vazias” (Lc 1,52-53).
A coisa principal não é mais ter êxitos, mas sim aceitar as próprias fraquezas e incapacidades, que se manifestam nas frustações, e até alegrar-se com elas. O que antigamente era obstáculo transforma-se agora num meio, num impulso para frente. É preciso aceitar a própria miséria e estar aberto pra Deus a fim de atrair a sua Misericórdia.
3° -à A santidade já não exige uma ascese extraordinária – Santa Teresinha rompe com a tradicional concepção de ascese: sabe que as penitências não ajudam tanto assim. Santa Teresa de Ávila (1515-1582) escrevia com entusiasmo a respeito de um dos seus confessores, provavelmente o dominicano García de Toledo, contando que era uma pessoa fraca e doentia, mas recebia do Senhor a necessária resistência física para fazer penitências. Hoje não dá para pensar que Santa Teresinha fosse capaz de escrever tal coisa. Ela sabia não ser importante ter “a necessária resistência física para fazer penitências”. Ela aponta diretamente para o essencial. Em vez de correr o risco de tornar-se grande através de dura penitência física, apresenta-se agora o esforço de renunciar à vontade própria. E isto se faz de maneira eficiente quando se aproveita das mil ocasiões que a vida de cada dia nos oferece: não será cobrado os próprios direitos, mas pondo-se a serviço dos irmãos, através de milhares de pequeninos gestos. “Pai, Senhor dos céus e da terra, eu vos agradeço porque escondestes estas coisas  aos orgulhosos e as revelastes aos pequeninos”, disse Jesus (cf. Lc 10,21)

Salve Maria! 

                                                                                                                              Ir. Nilza do Carmo


Colaboração Irmã Nilza do Carmo

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