terça-feira, 25 de novembro de 2014

Raízes da Vida Monástica

A Vida Monástica no Oriente

Panayiotis Christou

Tradução: Pe. Paulo Augusto Tamanini

A Origem da Vida Monástica




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Durante o IV século de nossa era surgiu dentro da Igreja um forte movimento de afastamento da sociedade organizada para o deserto. Um movimento que teve um crescimento ainda maior no período seguinte. Para interpretar este repentino movimento, os historiadores propuseram diversas hipóteses, sendo duas delas as mais aceitas.
A primeira hipótese: a vida monástica teria sua origem nas religiões orientais, naquelas que praticavam o ascetismo já há muitos anos, tanto em absoluta solidão como em monastérios.
A segunda hipótese: a vida monástica proporcionava uma saída quando o contato próximo do cristianismo com o mundo provocava uma reação com ele, um inevitável desleixo das normas morais.
A primeira das hipóteses carece de fundamento, pois é impossível descobrir historicamente uma conexão entre o ascetismo oriental e a vida monacal cristã. Ademais, se o cristianismo tivesse recebido tal influência e, sendo assim, estamos afirmando que a vida monástica teria surgido dos grupos ascéticos dos essênios, como explicar o fato de a vida monástica ter surgido muito tempo depois do desaparecimento das comunidades dos essênios? O que não significa, contudo, que em suas etapas posteriores, a vida monástica não tivesse certas características comuns com as comunidades dos essênios e com as comunidades neo-pitagóricas.
A segunda hipótese é igualmente inaceitável posto que existiam numerosos ermitões vivendo livremente, já antes mesmo do reconhecimento do cristianismo por Constantino, o Grande.






A vida monástica é um modo de vida que surgiu dentro da Igreja e se desenvolveu organicamente levando até seus limites os princípios da moral cristã. Com efeito, ainda o cristianismo não nasceu como uma filo pessimista, nem como uma força com pretensões de dissolver a sociedade. Regia-se, evidentemente, por princípios diferentes dos da sociedade daquele tempo. Dava atenção àquilo que é o centro da vida e se despreocupava com as coisas periféricas. Uma coisa tinha valor supremo para o homem: a alma. Colocada ao lado do mundo, este insignificante. "E que aproveita o homem ganhar todo o mundo se perder sua alma?" (Mt 16, 26). As coisas do mundo dificultam os movimentos da alma, e os bens do mundo se acumulam em sua volta, sufocando-a e impedindo que se desenvolva harmoniosamente.
Por conseguinte, para o homem que pretende libertar-se do seu próprio "eu" é esperada uma árdua luta. Esta luta é entre o "eu" que pertence ao mundo com o "Eu" superior e ideal que possibilitará ao homem apresentar-se diante de Deus. Neste esforço, tal como declarou Jesus Cristo, o homem deverá submeter-se a si mesmo como também seus atos a um rigoroso exame. É necessário abandonar muitos bens mundanos para obter o tesouro celestial e submeter-se a prova do sofrimento para purificar sua vontade.
Baseando-se nestes princípios, os primeiros cristãos viviam de acordo com um plano moral excepcionalmente elevado; mas alguns deles quiseram ascender a uma austeridade maior, privando-se de mais bens e submetendo-se a uma maior auto-moderação, com jejuns e oração.
Para um cristão o matrimônio é algo honrável, um grande sacramento, mas não deixa de ser uma instituição deste mundo. Por esta razão, quem podia, evitava-o; alguns buscaram uma alternativa, substituindo-o por uma espécie de matrimônio espiritual, na qual o homem e a mulher conviviam em pureza (1Cor 7,36ss). Muitas viúvas evitavam um outro matrimônio, e as virgens se negavam a casar-se. Estas mulheres se organizavam em sociedades especiais, em primeiro lugar para se proteger, e em segundo, para concentrar suas atividades em trabalhos sociais. É aqui onde encontramos a primeira forma de vida monástica que se desenvolveu dentro das comunidades cristãs organizadas.

Colaboração Ir. Nilza do Carmo

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