domingo, 11 de maio de 2014

A "JANUA COELI" e " PORTA DO CÉU"



Sem dúvida, depois de Jesus Cristo, na distância que existe entre o infinito e o finito, há uma criatura que também foi grande "louvor e glória" da Santíssima Trindade. Ela correspondeu plenamente à eleição divina, de que fala o apóstolo S. Paulo: Ela sempre foi pura, imaculada, irrepreensível aos olhos de Deus três vezes santo".
A sua alma é tão simples, seus movimentos tão profundos que não podemos distingui-los. Ela parece reproduzir na terra a vida específica do Ser divino, o Ser simples. É tão transparente, tão luminosa, que julgaríamos ser ela a própria luz. No entanto, é apenas o "espelho do Sol de justiça".
Quando leio, no Evangelho, que Maria percorreu, apressadamente, as montanhas da Judéia para ir cumprir a sua obra de caridade para com sua prima Isabel, vejo-a passar tão bela, tão calma, tão majestosa e recolhida em si mesma, com o Verbo de Deus! Como a dele, a oração dela foi sempre a seguinte:
"Eis-me aqui!" Quem? A serva do Senhor (Lc1,38), a última de suas criaturas, ela, sua Mãe!
Esta Rainha das Virgens é também a Rainha dos Mártires; e é no seu coração que "a espada a transpassou", porque nela tudo se passa em seu íntimo...Oh! como é belo contemplá-la durante o seu longo martírio, tão serena, envolvida numa espécie de majestade que respira, ao mesmo tempo, a força e a doçura! É que aprendera com o próprio Verbo como devem sofrer aqueles que o Pai escolheu como vítimas, aqueles que quis associar à grande obra da redenção, " os que conheceu e predestinou para serem conformes ao seu Cristo", crucificado por amor.
Aí está, ao pé da cruz, de pé, forte e corajosa, e o meu Mestre me diz: "Eis aí tua mãe"(Jo 19,27). Ele me a dá como Mãe!Agora que voltou para junto do Pai, que me deixou em seu lugar na cruz, para que eu sofra em mim " o que falta à sua paixão pelo seu corpo, que é a Igreja", a Virgem Maria ainda está aí para ensinar-me a sofrer como ele, para dizer-me, para me fazer ouvir esses últimos cantos de sua alma, que nenhuma outra pessoa a não ser ela, a sua Mãe, conseguiu captar.
Quando eu disser o "meu está consumado", será ainda elaJanua Coeli, a Porta do Céu, que me introduzirá nos átrios eternos, segredando-me as misteriosas palavras: 

"Alegrei-me com o que me foi dito: iremos à casa do Senhor!..."(sl 122,1)

Texto de Elisabete da Trindade, Viver de amor, São Paulo, [1986], pp.37-39

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