sábado, 25 de maio de 2013

“[...]Que alma foi tão desapegada deste mundo, e tão unida a Deus , quanto a bela alma de Maria?[...]”


De Maria já se disse nos Cânticos: Quem é esta que sobe pelo deserto, como uma varinha de fumo, cheia de aromas de mirra, e de incenso, e de toda a casta de polvilhos odoríferos? (3,6). A sua total mortificação, figurada na mirra; as suas fervorosas orações, expressas pelo incenso, e todas as suas santas virtudes, unidas à sua perfeita caridade para com Deus, acendiam nela intenso incêndio. No meio deles sua bela alma, toda sacrificada e consumida pelo amor divino, se eleva continuamente a Deus qual varinha de fumo, que de todas as partes trescalava suavíssimo perfume. A nuvem que sobe és tu, Maria, que exalaste para o Altíssimo a suavíssima fragrância das virtudes, diz Roberto, abade. E com maior expressão ainda, disse o Pseudo-Jerônimo: Foi Maria essa varinha de incenso, porque se consumia como um holocausto, inteiramente devorada pelo fogo do amor divino, e exalava sempre suavíssimo olor. (Glórias de Maria, Santo Afonso Maria de Ligório, pág. 330)

S. João viu Maria figurada naquela mulher vestida de sol, que tinha a lua debaixo dos pés (Ap 12, 1). Pela lua explicam os intérpretes significar-se o mundo, e seus bens caducos e sujeitos a inconstâncias, como o é a lua. Todos estes bens, Maria nunca os teve no coração, mas sempre os desprezou e teve debaixo dos pés. Viveu neste mundo como solitária rola num deserto, sem afeto a coisa alguma. Dela foi dito por isso nos Cânticos: Ouviu-se em nossa terra a voz da rola (2, 12). E em outro lugar: Quem é esta que sobe pelo deserto? (3, 6). Sobre a Virgem diz o abade Roberto: Subiste pelo deserto porque tua alma estava na solidão. Havendo, pois, Maria vivido sempre desprendida inteiramente das coisas terrenas, e sempre unida a Deus,não amarga, mas doce e suave devia ser-lhe a morte, por uni-la mais estreitamente a Deus com vínculo eterno no paraíso. (Glórias de Maria, Santo Afonso Maria de Ligório, p. 327)

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